Quem fala o que quer, deveria ouvir o que não quer.

PhotoGrid_1398775965017Hoje de manhã quando saí com a minha Ceci rosa para cumprir a primeira etapa do meu dia (deixar o Zion na creche e ir na academia) fiquei pensando que eu deveria escrever um post para o blog sobre a alegria de passear de bicicleta com o seu bebê e todos os benefícios que isso pode trazer. Mas, como eu dificilmente consigo prever um post, fui surpreendida com um acontecimento que me deixou com muito mais vontade de falar a respeito.

Enquanto eu preparava a minha bicicleta para sair de casa, prendendo a bolsa do Zion e o Zion em si à bicicleta, a alma de uma mãe recalcada falou mais alto e a convenceu a se dirigir até mim para me dizer que eu era uma ‘garotinha irresponsável’ por sair de bicicleta com uma criança daquele tamanho, que eu não me preocupava com o meu filho e não via o risco em que eu o estava colocando ao sair de bicicleta com ele na cadeirinha.

Respirei fundo.
Respirei fundo de novo.
Respirei fundo mais uma vez, mas não adiantou.
Perguntei se aquela criança que brincava ao seu lado era filho dela. Ela disse que sim. Então, com o meu melhor sorriso de ex-comissária (seguindo aquele do ditado ‘aeronave caindo, comissário sorrindo’) a perguntei porque ela não cuidava do próprio filho, ao invés de cuidar do meu.
“Liguei” a bicicleta e saí, linda, batendo cabelo ao vento. O Zion bateu palma.
Mas é o que ele sempre faz quando anda de bicicleta.

As minhas pernas, obviamente tremiam. Nunca fui boa em ser grossa com pessoas desconhecidas. Não sei porque, mas sou muito melhor em fazer isso com as que eu tenho mais intimidade.
Veja bem, sou grossa por natureza. Se as pessoas soubessem o que eu penso, com certeza eu seria banida da sociedade. Mas tenho dificuldade em exteriorizar isso para pessoas estranhas. Não por falsidade, mas por algo que permeia o medo, a boa educação e a repreensão. Sempre que tento dizer alguma grosseria minha garganta fecha, as palavras secam e o meu corpo treme. Minha mão fica fria. Não sei se isso é normal ou se é algum trauma, sei lá… Fato é que, tenho tentado ser mais grossa com as pessoas. Sim, você leu direito, eu quero ser mais grossa com as pessoas. Essa, na verdade, já é uma luta antiga, mas desde que eu engravidei, essa vontade e até a necessidade de fazer isso aumentou.

Eu tenho um amigo, que com certeza vai saber que estou falando dele quando ler isso aqui, que sempre responde de forma incisiva o que está pensando, quando alguém é folgado com ele. Isso encerra o assunto e as pessoas entendem facilmente qual é o limite da intimidade delas com ele. Sempre disse que eu precisava fazer um curso com ele. Com a vinda do Zion, isso se tornou imprescindível.

Desde que eu engravidei as pessoas se sentem no direito de me falarem o que bem entendem, vivem me dando palpites e me dizendo o que acham que eu estou fazendo de errado. Mesmo eu não tendo perguntado ou, principalmente, não as conhecendo.
Acho engraçado porque ninguém nunca bate no seu ombro para te dizer que você é uma boa mãe e está fazendo um excelente trabalho. Isso é muito raro. A crítica é sempre a constante. As vezes o próprio elogio, vem com uma critica na sequência. E ter um filho incrível, é sempre uma questão de sorte, mas se o seu filho faz algo de “errado”, daí a culpa é sua que com certeza fez alguma coisa ainda mais errada.
Eu tenho a impressão que isso acontece comigo com mais frequência, por uma mistura da minha cara de tonta com a minha cara de criança somado as minhas atitudes não convencionais, que me deixam totalmente sem “cara de mãe”.
Exemplos para vocês entenderem melhor… No meu quinto mês de gravidez, as pessoas me paravam na rua e me perguntavam com quantos meses eu estava e quando eu respondia, elas me diziam preocupadas, que eu deveria ir ao médico pois a minha barriga estava muito pequena e que meu bebê certamente não estava crescendo (como se elas fossem todas profissionais nesse assunto e como se elas já tivessem me visto outras vezes na vida, para poderem comparar). Quando eu ia na academia, elas me paravam pra me dizer que eu não deveria fazer musculação grávida (porque eu provavelmente não tinha pensado ou me informado à respeito); quando eu saía para passear com o Zion no carrinho, elas me paravam para avisar que a posição que ele estava com a cabeça ia dar torcicolo nele e que eu tinha que arrumá-lo (sim, a sabedoria popular diz que bebês com menos de 1 mês sofrem de torcicolo; não quero nem imaginar o que o meu filho não passou, dentro do útero, nos últimos meses); quando eu saía com ele no Sling então… Era um tal de “Cuidado para ele não sufocar!”; “Nossa, tá esmagando a perninha dele…”; “Olha, ele vai cair daí!”…
Isso sem contar todas as pessoas que chegam quando ele começa a chorar dizendo que ele está com fome, frio ou cólica.
Porque, de acordo com a sabedoria popular, todo choro é cólica.
Porque qualquer desconhecido sabe melhor do que a mãe do próprio bebê, o que o choro dele quer dizer.

Só para registro, o Zion nunca teve cólica.

Mas de qualquer forma, o problema é que isso continua acontecendo.
Como aconteceu hoje de manhã.
Nem sempre as pessoas são educadas. Nem sempre elas aceitam que eu não as escute.
As vezes, eu tenho a impressão de que eu sou um para-raio de mamães recalcadas e salvadoras dos bebês oprimidos pela loucura das mamães doidinhas e sempre tenho dificuldade de me impor nessas situações em que elas tentam “salvar” o Zion das minhas idéias malucas. Isso facilita para que elas se sintam ainda mais no direito de intervirem na criação do meu filho.
Eu me refiro aqui as desconhecidas que se aproximam sem convite algum. As que eu conheço, não me incomodam tanto. Tanto.
No início da gravidez, quando eu reclamava disso no Facebook, eu recebia várias mensagens inbox, dizendo que eu devia me acostumar, que eu devia deixar de ser ranzinza e que com crianças, as coisas simplesmente são assim. Confesso que me senti um pouco reprimida na época e tentei parar de reclamar.
Acontece que eu realmente acho que as pessoas estão erradas ao fazerem isso. Sei que é uma coisa cultural, mas ainda acho que tem que parar. As pessoas precisam aprender a cuidar mais da própria vida. Mas sei que isso não vai acontecer tão cedo… Então, entendi que a melhor maneira de acabar com isso de forma imediata, é sendo mais grossa quando isso acontece. Não grossa no sentido de mal educada; mas grossa no sentido de não dizer o que as pessoas querem ouvir. Porque é disso que as pessoas te chamam quando você responde o que realmente pensa. Elas se ofendem. Porque elas não consideram ofensivo te dizerem que você é uma péssima mãe e que está fazendo tudo errado, mas elas consideram uma desavença você responder que não só não acha isso, como não perguntou a opinião delas – porque simplesmente não faz diferença para você. Eu não entendo porque elas se ofendem. Eu ainda acredito que quem fala o que quer, se coloca em posição de ouvir o que não quer.

Estou cansada de ouvir besteira de graça. O Zion tem acordado de hora em hora toda noite. Só eu sei a luta que é para dar o melhor para ele. Cada mãe sabe da sua luta para manter o filho da melhor forma possível. E se o carrego na bicicleta, não é por facilidade, por diversão ou por ser uma mãe relapsa, como muitos pensam. Seria muito mais fácil, depois de várias noites mal dormidas, acordar numa manhã fria e simplesmente colocar ele no carro, como todo mundo faz. Mas não é nessa criação que eu acredito. E eu vou fazer o que eu acredito ser o melhor pra ele. E não fico por aí julgando as pessoas pela forma que elas criam os próprios filhos. Até porque, eu tenho um filho para criar, não daria tempo.
Eu entendo que não existe fórmula para criar filhos e cada um faz o que acredita ser melhor. Confio nas outras mamães e nas escolhas que elas fazem. Porque acredito que toda mãe dá o seu melhor. E isso varia de acordo com as suas experiências, com as suas crenças. Não paro uma mamãe desconhecida para dizer à ela o que eu acho que ela deve fazer com o filho dela. E sinceramente, prefiro que elas não façam isso comigo.
Até porque, eu ainda confio mais na educação do meu filho, dada por mim, do que por um desconhecido.

Concluindo… Quando saí da academia o pneu da minha bicicleta estava furado.
Senti a fúria daquela mãe recalcada que esperava que eu tivesse ouvido o que ela tinha a dizer.
Tudo tem seu preço. Não ouvir as baboseira de uma desconhecida me custou R$ 4,00.
De certa forma achei barato… Mas espero, sinceramente, que da próxima vez, o pneu furado seja o da minha cintura.

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