Sessão #7 – O Sono Constante

Oi Doutor Norman… Como de costume, na última consulta eu disse “até amanhã” e apareci semanas depois.
Tenho percebido que a constante privação de sono me deixa desanimada, preguiçosa, depressiva ou tudo isso ao mesmo tempo; e desenvolvo uma vontade insana de ficar parada, no tempo, vendo a vida passar, embaixo das cobertas da minha cama. Principalmente quando o dia acorda cinza como hoje.
Mas quem tem filho sabe que a coisa não funciona bem assim; afinal, tem roupa pra lavar, casa pra limpar e vida para ganhar, não é mesmo Doutor?!

Na verdade, eu não sei se acontece com todo mundo, mas o fato é que hoje, eu tenho pouquíssimas coisas que me incomodam na vida comparado ao início deste ano. Acredite, de lá para cá, as coisas melhoraram muito. Não que eu não tenha mais contas para pagar, quilos à perder, concursos para passar ou filho para criar; nada disso. A questão é que emocionalmente têm ficado mais fácil, mais simples.
Acho que a gente ama o filho quando ele nasce, mas é conforme ele vai crescendo que a gente vai ficando louca por ele.
As inseguranças começam a passar e uma grande determinação e vontade de vencer na vida tomam conta de você… É muito louco.
Mas mesmo assim, dia ou outro, eu dou uma desanimada e começo a pensar que eu não vou dar conta.
Eu crio meu filho sozinha né Dr. Norman. Sozinha, no sentido do núcleo familiar.
Eu tenho um super apoio da minha família e sinceramente, não sei como eu estaria sem eles; mas no final das contas, é sempre você com você mesmo, não é?!
E quando você tem filho, é você mesmo e seu filho. E no meu caso: eu comigo, meu filho e o Gato ranzinza.
No final das contas, a responsável (ou irresponsável, dependendo do caso) sou eu.
Porque eu sou a mãe. E a “culpa” é sempre nossa.
Mesmo que a gente não queira, ou que ninguém aponte, a gente sempre descobre um jeito de achar que a “culpa” é nossa.
Então, tem dias que o medo toma conta. Que eu penso, como eu vou fazer? Como vou sustentá-lo? Como vou ensiná-lo? E outros questionamentos bobos como esse.
Bobos porque, como eu já disse aqui; como vivenciei no meu parto, ser mãe, é ser capaz. Capaz de qualquer coisa. Até do que a gente não acredita que consegue.

Nessas idas e vindas, eu comecei a observar que esses dias mais obscuros, aconteciam sempre na sequência de um “combo” de noites mal dormidas.
Porque eu fico cansada.
E me desorganizo.
E as coisas acumulam.
E a correria aumenta.
E o cansaço triplica.
Hoje, a pressão de “vencer” constantemente é muito maior do que quando eu não tinha filho.
Quando eu engravidei, pirava em como eu ia conseguir me tornar, em apenas 9 meses, a mulher que eu pensei que teria a vida inteira para ser.
Obviamente, eu fui um fracasso na missão e nos primeiros meses do Zion eu estava mais confusa do que antes de tudo. Muito mais forte, só que, depois do meu parto, a mulher que eu era antes, desapareceu, e a que nasceu, eu ainda não conhecia. Foi preciso algum tempo para me reconhecer depois de tamanha mudança.
Vou dar um exemplo grotesco Doutor, mas é mais ou menos assim: Antes de engravidar eu era vegetariana, nunca sentia vontade de comer carne, não fazia a menor falta. Durante a gravidez, eu salivava ao ver um pedaço de bife, parecia um bicho – inclusive, quando fui fazer o ultrassom morfológico, nas 22 semanas de gestação (eu acho), o médico me perguntou se eu era vegetariana porque tinha uma “portinha” aberta no cérebro do Zion, que só costuma acontecer quando a mãe consome pouquíssima proteína, não só na gestação, mas na vida.
Óbvio que eu surtei quando ele falou isso.
Mas aí ele disse que não era nada demais, era apenas uma característica que dava para observar naquele caso e que a consequência, caso o consumo de proteína não aumentasse e a “portinha” não fechasse, seria que talvez o Zion desenvolvesse uma certa dificuldade de concentração.
Cheguei a conclusão que a minha mãe não deve ter comido nada de proteína até o meu nascimento.
Mas enfim, como eu ia dizendo, hoje, eu faço uma dieta que tem a proteína como protagonista.
Não é louco?
O que eu quero dizer Doutor, é o seguinte: Depois que o Zion nasceu, os meus gostos mudaram, as minhas buscas mudaram; até o meu jeito de me vestir mudou.
Você vive uma vida até engravidar, outra durante a gestação e uma terceira, completamente diferente, depois que o seu filho nasce.
E as vezes, quando você está muito cansada, você acaba se confundindo com todas essas personalidades; com todas essas vidas.
Afinal, quando você pari, você dá a vida não é mesmo? Dá a vida, a você, ao seu filho e ao mundo.

Bom Doutor, eu sei que eu ainda não terminei de te contar o meu parto e que não era para eu falar sobre isso hoje, mas foi o que eu senti vontade de conversar… Não consigo controlar os assuntos que a minha mente escolhe devanear, quando eu venho aqui.
Prometo que eu venho amanhã e conto como foi o expulsivo do meu parto, para darmos continuidade nessa história.
Enquanto isso vou dar uma agilizada na minha vida aqui porque percebi que a minha felicidade mora na minha disciplina. E o emagrecimento também!
Sabe Dr. Norman Bates, com o Zion acordando de hora em hora toda noite, há meses, descobri que as vezes a vida simplesmente não fica mais fácil.
Então, a gente é que tem que ficar mais forte.

Boa noite Doutor, até amanhã!

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