Sessão #8.1 – A Maternidade e suas Vertentes

Bom dia Doutor Norman!

Olha, só parece que eu estou de bom humor, mas na verdade é café.
Hoje eu acordei pensando que eu queria muito ler um livro de maternidade escrito pelo Nelson Rodrigues, sabe?! Já imaginou: A Maternidade Como Ela É – de Nelson Rodrigues.
Ia ser sensacional…

Como você não é mãe, provavelmente você não sabe, mas pelo que eu tenho observado, existem 3 vertentes da maternidade: a maternidade convencional, a maternidade alternativa e a maternidade real.

Eu não vou ficar aqui falando para você o que as duas primeiras dizem porque eu com certeza não seria justa, já que fui “militante” da maternidade alternativa por muito tempo; porém, o que eu posso dizer é que existe uma infinidade de livros à respeito de ambas e uma intensa ditadura envolvida nas duas. Cheguei a conclusão que elas não são muito flexíveis e mais do que isso, elas não falam da realidade, de uma forma geral; além de criarem uma verdadeira “guerra” entre as mamães que vivem condenando umas as outras, apontando o que é “certo” e o que é “errado”.
Então, já faz algum tempo, que venho procurando alguém que fale da maternidade real. Mas é difícil sabe Doutor, me parece ser um grande tabu. Sim, tabu. Tenho a impressão que qualquer pessoa que tente falar da maternidade como ela é, de fato – nem tão convencional, nem tão alternativa – acaba caindo no julgamento dessas duas ditaduras maternais. Por isso, sonho desesperadamente em encontrar o “Nelson Rodrigues” da maternidade.

Tô cansada de participar de grupos de maternidade onde as mães postam atitudes de outras mães e ficam ali, atirando pedras dizendo “que horror”, “como ela pode fazer isso”; sem conhecer um terço da vida da pessoa.
Horror, para mim é ficar julgando sem saber, sem conhecer a história. Isso sim é um péssimo modelo de criação, na minha opinião.
Se a mulher fez parto cesárea, é uma egoísta; se fez domiciliar, é louca; se amamenta em público, é promíscua; se dá mamadeira, é preguiçosa; se bota na creche, não liga pro filho; se não trabalha, é folgada; se reclama, não deveria ser mãe; se não reclama, eu acredito fielmente que mente.
Sabe aquilo que eu falei na consulta passada, sobre a constante sensação de culpa?! Acho que parte dela vem daí, da falta de livros sobre a maternidade real, sobre a mãe real. Aí, parece que a maioria das mães, para se sentirem menos culpadas por não se enquadrarem em nenhum desses modelos surreais de maternidade (porque ninguém se enquadra), ficam se justificando atirando pedras nas outras tipo “eu não fiz parto normal, mas amamentei até os 10 anos do meu filho – pior é aquela ali: acredita que ela não quis amamentar?!”. Ora, por favor!

Quero conhecer uma mãe totalmente convencional ou totalmente alternativa, que nunca fez nada de “errado” – porque sabe Doutor, acredito fielmente que essa mãe não existe.
A mãe real nem sempre consegue seguir as fórmulas, nem sempre é padrão. A mãe real segue o coração, faz o que dá, o que acredita. Faz o seu máximo se desdobrando em mil, mesmo que isso não seja o que está no livro. Nem toda vida é padrão. Nem toda vida segue fórmulas!
Mães ficam cansadas, ficam confusas, se questionam…
E é tudo normal!
Nenhum bebê vem com manual de instruções e nenhuma criança é igual.
Se fosse assim, como a gente poderia explicar famílias com filhos tão diferentes… Um faz birra, o outro não… Dizer o que? Que os pais “perderam a mão” no segundo filho?!
E como explicar isso no caso de gêmeos?
Bebês são seres humanos, com vontade e personalidade própria; não são robôs que você programa com um conjunto de códigos. Eles não seguem todos a mesma regra. Você precisa decifrar, descobrir, conhecer. Não existe manual, não sei porque as pessoas continuam tentando enquadrar a maternidade em uma espécie de fórmula já que existem tantas possibilidades de criação, de ambiente, de cultura!

Outro dia li uma matéria sobre uma mãe que contratou uma “encantadora de sono”, porque ela e o marido não aguentavam mais não dormir a noite. Acredita Doutor Norman, que ela pediu para manter o nome em segredo porque eles não haviam contado para ninguém, por medo de serem julgados péssimos pais?! E foram mesmo – na mesma postagem, choviam comentários condenando a atitude deles e dizendo “que tipo de filhos vocês estão criando”.
Ué, pensei indignada, acho que os normais né, iguais aos das outras pessoas que tem babá, empregada, avó, marido, tia ou sei lá quem para segurar a barra quando os pais estão trabalhando ou cansados.

Aliás, nesse mesmo dia, ao comentar em uma rede social que o meu filho não dorme direito, uma mamãe bastante educada (para não dizer a verdade) me mandou uma mensagem dizendo que o meu filho não dorme a noite por incompetência minha, porque eu dou mamadeira para ele no meio da noite e porque ele não dorme no berço – os filhos dela dormem que é uma beleza, a noite toda, e ela não precisou de nenhuma encantadora de sono para isso (então ela sabe a fórmula mágica – mamadeira/berço).
Fiquei pensando se na cabeça dela, eu sou uma espécie de mãe masoquista que nunca tentou de tudo para que o filho dormisse a noite toda porque ama de paixão dormir mal todas as noites e viver movida a base de café.
Nem me dei ao trabalho de tentar explicar, já que a educação dela ultrapassava essa barreira e apenas respondi “Olha, acho que no fundo, você tem toda razão… Faz o seguinte, vem aqui, dormir uma semana na minha casa e resolve esse problema para mim.” mas acho que ela se ofendeu com o meu convite, que por sinal, era bastante sincero.

Porque eu penso assim né Doutor Norman – quem critica, deve saber fazer melhor.

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