Sessão #10 – A Correnteza

Olá Doutor Norman, ainda se lembra de mim?

Tanto tempo se passou não é?! Nem sei por onde começar a contar tudo o que aconteceu. Ainda tenho que terminar de falar sobre como tudo começou, mas sempre fico tão comovida com essa história que é melhor irmos com calma, veja bem, entramos em um momento delicado da minha vida – o meu pós parto.
Mas hoje eu não quero falar sobre isso, quero falar sobre como tudo caminhou. Como tudo se encaminhou.
É engraçado como a gente passa a maior parte da vida tentando manter o controle sobre tudo, tendando manter as coisas no seu devido lugar quando na verdade, a vida é o constante movimento e não a estagnação das coisas ou do controle.
Passei boa parte do último ano segurando e forçando as coisas a serem como eu queria, como o meu antigo eu desejava; até que um dia me dei conta Doutor, que a vida caminha sozinha – sem ajuda, sem empurrão.
É a lei natural das coisas, ela vai seguindo em frente. Sempre em frente.
E ela é tão forte, que atropela tudo que a atravessa.
Não me lembro se eu já comentei aqui, mas um dos melhores conselhos que eu recebi durante a minha gravidez foi de uma pessoa completamente inesperada que me disse “Tati, a vida é pra frente.”
Uma das frases mais simples e mais sábias que eu já ouvi.
É um pouco sobre isso que eu quero falar hoje. A vida é para frente, sempre. Mesmo que você queira voltar para trás, mesmo que você queira ficar no lugar. A vida segue seu rumo e caminha lentamente para seu único e conhecido destino.
Não dá para fugir, não dá para correr e principalmente, não dá para ficar. Não dá tempo porque, a vida não dá tempo.
E por cerca de 2 anos eu permaneci parada, enquanto assistia e tentava segurar a minha vida, que seguia em frente. Tentava entender tudo o que tinha acontecido até então – tentava absorver, racionalizar. Tentei barganhar, tentei equalizar, tentei solucionar. Nada dava certo.
Até que um dia eu desisti. Desisti e me entreguei aquela onda que tentava levar o meu corpo.
Me entreguei a correnteza e deixei o barco correr, afundar e finalmente atracar. Mas ao contrário do que eu imaginava, meu barco não atracou no fundo, não – ele foi levado pela correnteza enquanto eu ainda recuperava o folêgo, para essa ilha desconhecida.
A vida tem dessas de surpreender a gente. Não sei se é por gosto ou só por desatino mesmo, só sei que ela tem dessas.
É como uma frase do Joseph Campbell que diz “Você deve desistir da vida que planejou, para poder viver a vida que está esperando por você”.
Então Doutor Norman, eu só vim aqui hoje para lhe dizer que eu desisti.
Desisti de barganhar, de controlar, de querer que a minha vida siga os meus planos, da minha maneira.
Agora eu sigo os planos que a vida tem para mim – aqueles que me foram destinados pelo acaso, pela lei natural dos encontros, pela natureza.

Doutor Norman Bates, sei que você teve alguns percalços com a sua mãe, mas tente entender, a maternidade também é um processo para nós mães, e ao contrário do que todo mundo pensa, é um processo que leva tempo.

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