A culpa em não ser o meu melhor.

Eu vivo lendo por aí conselhos do tipo “calma, o importante é que você dá o seu melhor”…
Eu quase nunca dou o meu melhor.
Se eu desse o meu melhor o tempo todo, jamais me sentiria culpada.
Porque sinto que o meu melhor seria o suficiente.
Mas eu dou o que dá. Dou o que sobra. Dou o que tenho.
Dou o que sobra depois de noites mal dormidas.
Dou o que dá depois de pagar as contas.
Dou o que tenho quando não estou trabalhando, estudando, cuidando da casa, das roupas, da comida pra semana, de levar e de buscar, das contas, das crias.
Dou o que sobra depois de um dia todo embalando, amamentando, ninando, dando banho, contendo fraldas, gastos, segurando, acalentando.
Dou o que dá depois de tudo que já não deu.
Dou o que tenho depois de tudo que já não tem.
Mas quase nunca é o meu melhor.
O meu melhor é lindo, arrumado, tem o cabelo limpo e toma café da manhã todo santo dia.
O meu melhor tem dinheiro na conta, profissão, bom humor; tem 6h de sono consecutivos, faz tarefa junto todo dia, fala baixinho, explica com calma.
O meu melhor…. Ahhh o meu melhor… Ele nunca perde a paciência, resolve os conflitos sem perder a cabeça e ainda consegue fazer refeições de qualidade, com todos aqueles alimentos orgânicos e recém saídos da feira.
O meu melhor faz até receita caseira!
O meu melhor viaja, brinca, leva pro teatro, pro cinema, pro parque de diversões.
Ele é bem mais risada do que bronca, bem mais corrida e pega-pega do que tropeço.
O meu melhor janta junto toda noite, e sem tv.
Ele escolheu a escola por ideologia e não pelo preço, prefere brincar na rua, no parque, na piscina, na fazenda e não gosta de dar desenho na televisão.
Mas o meu melhor custa caro.
Custa tempo, energia, custa disposição.
E nem sempre eu tenho disso tudo.
Então eu faço o que dá.
E depois choro baixinho no chuveiro para não acordar a cria, porque é o que tenho.
É o que sobra.
Aí alguém diz “calma, o importante é que você dá o seu melhor”.
E eu me viro desespero.
Porque inúmeras vezes, estou muito cansada para dar o meu melhor.
Aí eu dou o que eu tenho.
E me pergunto se existe amor maior no mundo, do que dar para o outro, tudo aquilo que se tem – especialmente, quando é tudo aquilo que nos resta.

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