Nada é tão transformador quanto acolher a sua essência.

Eu sempre fui diferente. Ou pelo menos, desde que me entendo por gente.

Quando adolescente, comecei a perceber que eu não cabia nas caixas que todo mundo vivia tentando me colocar. Eu me sentia apertada, desconfortável. Não pensava como minha família, não sentia como os meus amigos.
Eu não sabia o que eu era, ou qual a caixa que me cabia, mas sabia que não eram aquelas.

Mudei de cidades, de faculdades, de cursos, de casas, de amigos, de trabalhos. Vivia pingando de canto em canto. Procurando.
Ninguém nunca entendeu nada – muito menos eu.
É difícil entender quando não se tem com o que comparar. Eu seguia um sentimento, não uma teoria.
Com isso acabei sendo sempre taxada de instável, daquela que não sabe o que quer, de irresponsável e daquela que nunca termina o que começa.

Foram muitos anos tentando me encontrar, me conhecer, me entender e principalmente me acolher.

existe-um-mundo-01Crescemos vendo que o diferente sempre apanha. Ele deve ser separado, excluído, higienizado. O diferente deve ser colocado no canto, ao lado, no periférico. Na caixa das coisas que não queremos, no exemplo dos insucessos.

Um dia eu encontrei um grupo de desencontrados, de gente que não cabia em caixas. Gente que precisava de espaço, de sentido. Gente que se acolhia em suas diferenças. Gente que sentia o cheiro do vento e também achava que isso fazia sentido.

Eu percebi que eu não estava sozinha.
E esse foi meu primeiro passo.

Percebi que muita gente é diferente mas finge que é igual, só pra não ter o trabalho de se explicar a todo momento.
Porque quem sai pra fora da curva sempre tem que dar explicação para todos aqueles que nadam a favor da corrente.
Eu sinceramente não tenho nada contra quem nada a favor da corrente. Eu só queria que eles parassem de me dizer, o tempo todo, o que eu tenho que fazer para ser igual a eles – como se no fundo, eu quisesse deixar de ser diferente.
Eu nunca quis – mesmo porque nunca foi uma opção.
Ninguém escolhe ser diferente, no fundo a gente só escolhe se conta pros outros ou não.

Com o tempo, aprendi a abraçar tudo aquilo que eu sentia.
Encontrei uma profissão em que eu pude ser absolutamente sincera sobre quem eu era e sobre porque aquela vaga deveria ser minha. Eu não precisei seguir nenhum manual na entrevista de emprego e acredito que foi justamente por isso eu a tenha conseguido.

Eu havia encontrado meu lugar, naquele emprego fora da curva, com a minha personalidade contra a corrente.

Até que um dia eu engravidei. Continuar lendo

A culpa em não ser o meu melhor.

Eu vivo lendo por aí conselhos do tipo “calma, o importante é que você dá o seu melhor”…
Eu quase nunca dou o meu melhor.
Se eu desse o meu melhor o tempo todo, jamais me sentiria culpada.
Porque sinto que o meu melhor seria o suficiente.
Mas eu dou o que dá. Dou o que sobra. Dou o que tenho.
Dou o que sobra depois de noites mal dormidas.
Dou o que dá depois de pagar as contas.
Dou o que tenho quando não estou trabalhando Continuar lendo

Assinado, C.D.

Bom aqui vai meu desabafo: meu nome é X, tenho 36 anos e sou mãe de duas crianças lindas e saudáveis: XY de 7 anos e XX de 3. O XY sempre foi um sossego, apresentando problemas normais de comportamento como desobediência e uma mentirinha de vez em quando, nada demais. Mas vamos à história da minha caçula. Quando XY tinha 2 anos e meio, resolvi largar o AC e me aventurar mais uma vez no mundo mágico das gestantes. Um ano e um aborto espontâneo muito sofrido depois meu pequeno sonho finalmente chegou. E era uma menina, perfeita do jeito que eu sempre sonhei. Nasceu como uma bonequinha parecia aquelas de loja, cheirosa, fofinha e risonha, eu fui e sou a mãe mais feliz do mundo por ter ela. Mas de uns tempos pra cá as coisas vem ficando bem difíceis. Minha princesa, além de ter um temperamento do tipo sai de baixo, é hiperativa, mas hiperativa de verdade, do tipo que a gente vai pra praia para descansar e volta mais cansada. Continuar lendo

Assinado, K.K.

Boa tarde, adoro seu blog e me identifico com várias das coisas que você publica. Eu não sei bem por onde começar esse desabafo, porque muitas vezes me sinto só. Sem ninguém pra quem possa dizer o que me deixa bem pra baixo.
Descobri que estava grávida depois que tinha terminado o relacionamento, foi um susto, mas me mantive forte. Durante toda a gravidez tive apoio dos meus pais e amigos, mas assim como agora me sentia só. Ninguém entendia o que estava passando, os meus medos, receios, nem imaginavam pelo preconceito que sofria quando dizia que não tinha casado e que era produção independente. Sempre fui clara com o pai da minha filha, falando que a casa estava aberta para ele visitar ou se quisesse me ajudar. Ele dizia para os outros que eu mandei ele não chegar perto, que não queria ele envolvido em nada. Que eu era louca. Continuar lendo